Resultado em aberto: os cenários que mudariam 3 deputados federais e 10 estaduais
O cenário conjunto altera três cadeiras federais e dez estaduais. A série explica por que essa conta não é uma previsão nem a soma de hipóteses isoladas.
Cenários condicionais. As hipóteses desta análise não substituem o resultado oficial nem antecipam decisões judiciais.
O cenário conjunto troca três deputados federais, em três UFs, e dez deputados estaduais, em seis UFs, quando o programa admite ao mesmo tempo todas as pendências de cada disputa proporcional. As contagens são separadas por cargo. Esse é o tamanho da mudança no cenário conjunto, reconstruído com os arquivos do primeiro turno de 4 de outubro de 2026, no recorte de 5 de outubro. Não é uma previsão de decisões judiciais nem uma soma de recursos que provavelmente terão sucesso.
O resultado nacional nasce de uma comparação delimitada: de um lado, a composição reproduzida a partir do arquivo; de outro, a composição calculada depois da mudança de hipótese. Antes de criar os cenários, a pesquisa conferiu 108 disputas com os resultados registrados. O programa reproduziu eleitos, bancadas e quocientes nas disputas proporcionais, além dos classificados e desfechos nas majoritárias. A conferência torna o experimento auditável, mas não transforma sua hipótese em fato consumado.
Uma mesma palavra, contas diferentes
O cadastro de pendências reúne candidaturas e situações que exigem cuidado na leitura. No experimento proporcional, validar significa adicionar à conta os votos previstos no cenário e habilitar a candidatura ou o conjunto indicado. Na simulação majoritária, retirar votos do denominador muda a porcentagem dos demais concorrentes. A norma de totalização do TSE é a referência do modelo; a classificação do arquivo não substitui o exame atualizado de um processo.
Essa diferença impede tratar todo voto pendente como se estivesse esperando apenas uma operação de soma. Também exige distinguir candidatura, partido e federação: são unidades diferentes, que podem carregar conjuntos distintos de votos.
Onde o conjunto muda a composição
| Estado | Cadeiras federais alteradas | Cadeiras estaduais alteradas |
|---|---|---|
| Acre | 1 | 0 |
| Bahia | 0 | 1 |
| Mato Grosso do Sul | 0 | 1 |
| Paraíba | 0 | 1 |
| Rio de Janeiro | 1 | 5 |
| Sergipe | 0 | 1 |
| São Paulo | 1 | 0 |
| Tocantins | 0 | 1 |
O Rio concentra cinco das dez substituições estaduais. Acre, Rio e São Paulo respondem pelas três federais. As linhas registram alterações de nomes no cenário conjunto de cada cargo e UF; não afirmam que todas as pendências serão decididas de uma mesma maneira. Nos estados ausentes da tabela, a hipótese conjunta examinada não mudou os eleitos daquele cargo.
A conta isolada responde a outra pergunta. No Rio de Janeiro, candidaturas diferentes podem disputar a mesma cadeira. Somar seus efeitos individuais contaria repetidamente a mesma saída e poderia produzir uma composição impossível. Para medir o conjunto, é necessário refazer a distribuição inteira com todas as condições simultâneas.
O candidato validado pode eleger outra pessoa
No Acre, os 6.127 votos de Antônia Lúcia aumentariam a força do MDB, mas a cadeira adicional ficaria com Ney Amorim. Na Paraíba, validar os 22.611 votos de Dinho levaria Larúcia à Assembleia no lugar de Flávio Brasileiro. Na Bahia, a mudança associada a Binho Galinha beneficiaria Felipe Duarte. No Tocantins, Otoniel Andrade alteraria a distribuição favoravelmente a Dra. Angela da Facit.
Esses casos mostram o limite de comparar apenas dois totais individuais. O programa primeiro observa a distribuição entre agremiações e depois a ocupação das vagas. A origem dos votos adicionados e o nome que ocupa a cadeira podem ser diferentes.
São Paulo: o efeito está na combinação
As 62 pendências federais paulistas somam 30.358 votos no recorte. Nenhum cenário individual examinado troca um eleito, mas sua validação conjunta eleva o quociente eleitoral de 338.203 para 338.636. Nesse cálculo, Orlando Morando entra e Gil Diniz sai. O caso de São Paulo evidencia uma mudança produzida pelo novo denominador e pela redistribuição das cadeiras, não pela ascensão direta de um único candidato pendente.
Em Mato Grosso do Sul, a hipótese de validar Jamilson Name altera uma cadeira; validar Adão Salemaq sozinho não altera a composição. Em Sergipe, é indispensável separar a chapa partidária do conjunto da federação. Três cenários chegam à mesma troca, mas usam quantidades de votos diferentes.
Rio: uma porcentagem pode mudar sem um voto novo
O experimento para governador fluminense remove 274.411 votos de Garotinho da base considerada. O denominador passa de 8.669.038 para 8.394.627. Mantida a votação de Douglas Ruas, seu percentual vai de 49,27% para 50,88% no cálculo. A passagem pela metade decorre dessa operação matemática.
A Agência Brasil noticiou em 5 de outubro a desistência do recurso por Garotinho. A notícia contextualiza a pergunta; não usamos esse registro como auditoria do andamento processual de hoje. A matéria específica sobre o segundo turno no Rio distingue o resultado da simulação da decisão que caberia à Justiça Eleitoral.
O alcance desta série
Resultado em aberto mede o efeito de hipóteses identificadas, com nomes, quantidades e resultados reproduzíveis. Não estima probabilidades, não certifica elegibilidade atual e não apresenta acusações contra candidatos. O recorte de dados é 5 de outubro; a data de publicação da matéria é informada separadamente. Atualizar uma notícia judicial exige nova apuração, e atualizar um cenário exige guardar a nova versão do cálculo.
Fontes, método e limites.
Pesquisa Resultado em aberto, versão dos dados de 05/10/2026, eleição TSE 6259, 1º turno de 04/10/2026. Cálculos determinísticos sobre arquivos oficiais arquivados, com controle de 108 disputas reproduzidas. Tabelas extraídas mecanicamente dos CSV do experimento; cenários isolados, por agremiação e conjuntos são mantidos distintos. O cenário conjunto é contado uma vez por cargo e UF; seus resultados não são soma de cenários individuais. Sem auditoria processual atual, prognóstico judicial ou declaração de nova composição oficial. Versão verificável dos artefatos utilizados: cenarios_proporcionais.csv: SHA-256 87da25f5d44a29a508f87cd60d012b93746509bf80b846b806fe23c866fa36ce; trocas.csv: SHA-256 6f96af63dbc4af4db46c2bae35b607ceec20ce1be21535c31be54ab9088ff219; cenarios_majoritarios.csv: SHA-256 4b9e05b591dc34bd970de3f07330e713d4e5e484a4696c11777f2ef512f4082b. Motor reconciliado: regra tse-23677-art8-12-18-22.v1; SHA-256 do motor b65428ebf954f924ff91d2512db93c7385778f00c14743d16b8e9517129121d8; SHA-256 dos insumos SQLite e complemento 5a096bde39b9bdc174487b5a27f8986ce5a27cd8d6bb42ae6680552eda1cb554. Identificadores do recorte desta edição, não de decisões judiciais posteriores.
Recorte: 05/10/2026 · Revisão 1. Publicação e atualização estão identificadas na abertura da matéria.
- Portal oficial de resultados do TSE (abre em nova aba)Portal oficial; recorte identificado nos arquivos da edição · Consultado em 07/10/2026
- Regras de totalização do TSE (abre em nova aba)Referência normativa · Consultado em 07/10/2026
- Agência Brasil — notícia de 5 de outubro sobre o recurso de Garotinho (abre em nova aba)Contexto jornalístico datado · Consultado em 07/10/2026
- Pacote reproduzível de Resultado em aberto — edição de 5 de outubro (abre em nova aba)Cálculo reproduzível · verificado na edição local · Consultado em 07/10/2026
Outros ângulos para a mesma pergunta.
Rio de Janeiro: por que os cenários de Ricardo Abrão e da Alerj não se somam?
Uma troca federal e cinco estaduais no cenário conjunto. Validações isoladas podem atingir a mesma vaga; a composição precisa ser recalculada inteira.
Acre: por que os votos de Antônia Lúcia elegeriam Ney Amorim?
No cenário calculado, a validação de 6.127 votos amplia a bancada do MDB e muda uma cadeira federal. A candidata validada não é quem ocupa a vaga adicional.
Paraíba: Dinho abriria vaga para Larúcia — e o que a conta diz sobre Geska?
A hipótese sobre os votos de Dinho modifica a bancada do MDB. Os cenários de pendências examinados não acrescentam uma cadeira ao PL.