Rio de Janeiro: por que os cenários de Ricardo Abrão e da Alerj não se somam?
Uma troca federal e cinco estaduais no cenário conjunto. Validações isoladas podem atingir a mesma vaga; a composição precisa ser recalculada inteira.
Cenários condicionais. As hipóteses desta análise não substituem o resultado oficial nem antecipam decisões judiciais.
No Rio de Janeiro, uma lista de candidatos pendentes não permite contar cadeiras em risco por simples adição. O experimento federal produz uma substituição no cenário conjunto; o estadual produz cinco. Mas os efeitos de cada candidatura, simulada separadamente, se sobrepõem. É essa sobreposição que torna o estado um teste importante de leitura do sistema proporcional.
Os cálculos usam os arquivos do primeiro turno de 4 de outubro, no recorte de 5 de outubro de 2026. “Validar” é a hipótese matemática de incluir os votos e habilitar o candidato ou conjunto indicado. A série não afirma que os registros continuam na mesma situação processual hoje.
Ricardo Abrão: a cadeira muda de agremiação
A validação isolada dos 63.730 votos de Ricardo Abrão, do PSDB, elevaria o quociente eleitoral federal de 190.082 para 191.467. O programa passa a atribuir cinco cadeiras à federação PSDB/Cidadania, contra quatro na base. O PL recua de quinze para quatorze: Abrão entra e Jorge Miranda sai.
Comparar Abrão apenas com outro candidato da própria federação esconderia o movimento decisivo. A simulação acrescenta uma cadeira ao grupo; não se limita a trocar a ordem de seus candidatos. Quando todas as pendências federais do estado são consideradas juntas, a quantidade incorporada sobe para 114.193 votos, mas a substituição de nomes permanece a mesma.
Na Assembleia, cenários não se somam
| Validação isolada | Entra | Sai |
|---|---|---|
| João Drumond | João Drumond | Arthur Monteiro |
| Val Ceasa | Val Ceasa | Arthur Monteiro |
| Diego Alba | Diego Alba | Felipe Tropa |
| Luiz Martins | Luiz Martins | Felipe Tropa |
| Renato Machado | Renato Machado | Raone Ferreira |
| Cristiano Santos | Erika Coelho | Felipe Tropa |
| Iranildo Campos | Erika Coelho | Felipe Tropa |
A tabela apresenta operações separadas. João Drumond e Val Ceasa, por exemplo, ocupam nos respectivos testes a posição antes atribuída a Arthur Monteiro. Isso não significa que duas validações produziriam duas saídas de Arthur. O cenário conjunto precisa redistribuir todas as cadeiras.
O mesmo cuidado vale para Diego Alba e Luiz Martins: a hipótese individual de cada um altera o resultado da federação PSDB/Cidadania. Quando entram juntos com as demais pendências do grupo, o resultado não é a soma das duas simulações individuais. A posição dos candidatos dentro da lista e a quantidade de vagas conquistadas precisam ser recalculadas.
O que aparece quando todas entram
Com as pendências estaduais validadas simultaneamente, o programa adiciona 338.516 votos e leva o quociente de 121.136 para 125.972. Entrariam João Drumond, Diego Alba, Renato Machado, Val Ceasa e Erika Coelho. Sairiam Tia Ju, Felipe Tropa, Arthur Monteiro, Raone Ferreira e Carlos Russo.
Essa lista tem cinco nomes em cada lado e descreve um único cenário. Carlos Russo aparece entre as saídas dessa combinação, embora não seja a pessoa substituída em cada hipótese individual. Tratar o menos votado entre todos os eleitos como um corte universal também seria inadequado.
A visão nacional conta esse conjunto uma única vez. O caso de São Paulo oferece o contraste: lá, a troca federal surge somente da combinação. Já a pergunta sobre governo e segundo turno no Rio envolve outra operação, sobre o denominador majoritário. Nenhuma dessas leituras decide um recurso ou antecipa uma retotalização oficial.
Fontes, método e limites.
Pesquisa Resultado em aberto, versão dos dados de 05/10/2026, eleição TSE 6259, 1º turno de 04/10/2026. Cálculos determinísticos sobre arquivos oficiais arquivados, com controle de 108 disputas reproduzidas. Tabelas extraídas mecanicamente dos CSV do experimento; cenários isolados, por agremiação e conjuntos são mantidos distintos. O cenário conjunto é contado uma vez por cargo e UF; seus resultados não são soma de cenários individuais. Sem auditoria processual atual, prognóstico judicial ou declaração de nova composição oficial. Versão verificável dos artefatos utilizados: cenarios_proporcionais.csv: SHA-256 87da25f5d44a29a508f87cd60d012b93746509bf80b846b806fe23c866fa36ce. Motor reconciliado: regra tse-23677-art8-12-18-22.v1; SHA-256 do motor b65428ebf954f924ff91d2512db93c7385778f00c14743d16b8e9517129121d8; SHA-256 dos insumos SQLite e complemento 5a096bde39b9bdc174487b5a27f8986ce5a27cd8d6bb42ae6680552eda1cb554. Identificadores do recorte desta edição, não de decisões judiciais posteriores.
Recorte: 05/10/2026 · Revisão 1. Publicação e atualização estão identificadas na abertura da matéria.
- TSE — RJ, Deputado federal, 1º turno de 2026 (abre em nova aba)Dados oficiais arquivados; hash reconciliado com a edição · Consultado em 07/10/2026
- TSE — RJ, Deputado estadual, 1º turno de 2026 (abre em nova aba)Dados oficiais arquivados; hash reconciliado com a edição · Consultado em 07/10/2026
- Regras de totalização do TSE (abre em nova aba)Referência normativa · Consultado em 07/10/2026
- Pacote reproduzível de Resultado em aberto — edição de 5 de outubro (abre em nova aba)Cálculo reproduzível · verificado na edição local · Consultado em 07/10/2026
Outros ângulos para a mesma pergunta.
Resultado em aberto: os cenários que mudariam 3 deputados federais e 10 estaduais
O cenário conjunto altera três cadeiras federais e dez estaduais. A série explica por que essa conta não é uma previsão nem a soma de hipóteses isoladas.
São Paulo: como o quociente mudaria a cadeira de Gil Diniz para Orlando Morando
As 62 pendências federais não mudam eleitos nos testes individuais. Juntas, elevam o quociente de 338.203 para 338.636 e alteram uma cadeira.
Rio de Janeiro pode ficar sem segundo turno? Entenda a conta dos votos de Garotinho
A simulação muda o denominador, sem acrescentar votos a Douglas Ruas. O resultado matemático é separado da decisão sobre a realização do segundo turno.